António Carneiro Jacinto
Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007
CAROS BLOGUISTAS

Escrevo-vos, com a lealdade e frontalidade que tenho tentado pôr em todas as minhas intervenções desde que iniciei este Blogue. Escrevo-vos com o coração triste: 24 horas depois do meu regresso a Silves recebia a notícia da morte de mais um familiar. Um homem bom e generoso, na flôr da vida, que vi crescer como a mim próprio. Um homem da minha geração que se encantava agora com os seus netos. Porra de vida esta que resolveu bater mais uma vez, de forma cruel à porta da minha querida tia Gabriela.

Escrevo-vos deitado na cama onde tenho passado a maior parte do meu tempo no último mês. É verdade, a perna não está a ajudar. Quero pô-la a andar mas ela não obedece. Forcei a coisa e em vez de dar dois passos em frente, andei três para trás.

Por tudo isto, que não é pouco, só agora volto ao vosso convívio, ao contrário do que tinha prometido. Mão amiga fez-me chegar os trinta comentários a “Viagens na minha terra”. Um “fiador de promessas” quis-me ferir acusando-me de ter “secado a veia” e concluindo que “a montanha pariu um rato”. Pois fique sabendo que está de parabéns: fiquei triste, muito triste, com o que escreveu. Era isso que pretendia faça-lhe muito bom gosto.

Sou um tipo normal, igual a tantos outros, não me considero, nem mais, nem menos que ninguém, nem melhor, nem pior, e ao tentar “SERVIR SILVES” faço-o por um dever de cidadania em nome da democracia (coisa arredia há demasiado tempo desta terra) e de um futuro bem melhor para todos os habitantes do Concelho de Silves. Não sou nem Dom Sebastião, nem “Mestre” (como carinhosamente refere José Meireles). “Prossiga com a determinação de um cidadão militante o seu caminho de resistência  cívica e não se arrependerá”, pede-me J.J.J. e é, obviamente, o que irei continuar a fazer. A propósito de J.J.J. agradecia que me ajudasse com o BANCO DO TEMPO, pois não sei do que se trata, e agradeço-lhe não só as suas sugestões como as suas afirmações, que não resisto a citar de “à banalidade responda com materialidade; à ameaça responda com a elegância das boas consciências e à ignorância responda com informação”. É o que tenho tentado fazer e vou continuar.

Vizir tem toda a razão ao sugerir-me, mais uma vez, e como tenho repetidamente afirmado que “não se devem divulgar com tanta antecedência programas de candidatura”. Repare-se como exemplo do que foi escrito, na confusão que se estabeleceu sobre as propostas que avancei de “acessibilidades e acessos”.

Joaquim Santos diz que tenho “ideias e …boas”, sugere e bem, que estenda as minhas propostas “aos edifícios públicos”, mas depois afirma que sou igual ao Ministro da Saúde. Mas sou igual em quê se eu não escrevi uma linha sobre questões de saúde. Noutro comentário afirma que “as soluções são simples, pessoas dinâmicas e visionárias à frente do concelho, técnicos competentes e não políticos e politicas inovadoras e empresariais”. Não quer políticos, mas quer politicas!...

Meu caro José Meireles vamos lá a ver se nos entendemos de uma vez por todas: está redondamente enganado quando diz que “em posts anteriores não gostei dos seus comentários”. Fique sabendo que tenho aprendido muito com a genuinidade dos seus comentários, neste e  em outros blogues, e com a militância activa pela dignificação da coisa pública e do Concelho de Silves. Só lhe peço que não me trate por Mestre e a seu tempo definirei melhor “o que pretendo, pois falta muito tempo p’rá campanha”. Tem toda a razão quando escreve que “preciso de ter engenho para ir preparando o terreno para a conquista dos votos”. Porque, ao contrário do que escreve André Neves Bento (como eu  compreendo bem as razões do seu ressentimento em relação a Isabel Soares) não somos ainda “os necessários para garantir a eleição de outro candidato”. Olhe que está em marcha a campanha “coitadinha da Belinha”… não nos iludamos.

Ainda o meu caro José Meireles. Na minha proposta eleitoral constarão:

1 – As principais prioridades calendarizadas e com o devido cabimento   financeiro(“o que farei quando fôr eleito”);

2 – Os grandes objectivos estratégicos (“o que tentarei fazer se fôr eleito”). As acessibilidades e acessos enquadram-se no ponto 1.

Um anónimo que não gosta de mim escreve, em réplica a Ricardo Santos, que “ já vi que a minha forma de questionar um candidato não é aceite pelo vosso partido”. Não sei a que partido se refere mas, no que a mim respeita, pode continuar a questionar-me as vezes que quiser.

Essa é claramente uma enorme diferença que tenho em relação a Isabel Soares. A actual Presidente da Câmara, a quem falta cultura democrática, não gosta de ser criticada e como se habituou a que assim acontecesse, agora reage mal, e apesar de lhe dizerem para estar calada faz ameaças.

Há uma coisa que já ganhámos como refere o Silvense Sempre: nunca se falou e discutiu tanto o que se passa na Câmara Municipal de Silves. Basta olhar para os Blogues, para os jornais, nacionais ou regionais e ouvir as rádios locais. Independentemente das convicções politicas de cada um, o resultado está à vista.

Ninguém nos vai parar, nem calar, isso era no outro tempo.

 



publicado por António Carneiro Jacinto às 20:42
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6 comentários:
De josé meireles a 23 de Fevereiro de 2007 às 23:05
DR. Carneiro Jacinto

Nesta hora que lhe é particularmente dificil, não deixo de partilhar consigo a dor que está sentindo pela perda de mais um familiar.

Um abraço de sentidos pêsames.

José Meireles.


De josé meireles a 24 de Fevereiro de 2007 às 13:25
Ainda sobre o "fenómeno Belinha".

O nome Belinha, vem do nome de um super-mercado "ZÉ-BELA" que existia em Silves, propriedade da família. Como tal toda a gente, naquele tempo, começou a tratar a miúda por Belinha, nome que ela nunca gostou.

E ... um dia meteu na cabecinha que havia de tirar um curso superior para não ser mais tratada por aquele nome e sim por Drª. Isabel Soares.

E não é que resultou!

Por isso pôr em marcha a campanha "coitadinha da Belinha" é, não só pôr em marcha o reviver de um passado "non grato", como mostrar-lhe os lados maus da vida aumentando o peso que carrega, que já é demasiado, e que teima em carregá-lo.
Esta campanha terá certamente um efeito negativo na sua personalidade.

E termino dizendo "a pessoa que odeia os outros, também será odiada".


De Tony a 24 de Fevereiro de 2007 às 21:24
Quanto a nomes, Meirreles diz tudo!!!


De José Lince a 24 de Fevereiro de 2007 às 20:20
Caro Sr. Carneiro Jacinto

É com entusiasmo que tomo conhecimento destes debates nos diversos blogues sobre o concelho de Silves. Considero que o seu empenho e intervencionismo na vida politica deste concelho abanou com o conservadorismo do poder da nossa coitadinha e chorosa Belinha. Continue com esse empenho que os seus adversários bem irão perder o sono.
Bem haja


De Joaquim Santos a 24 de Fevereiro de 2007 às 21:21
Exº Srº carneiro de Jacinto
Quero desde já agradecer o seu comentário à minha intervenção e informar o Srº C. J. que quando me referi ao o Ministro da Saúde, não me referia a saúde mas sim forma de agir de tal Srº. Ou seja tomar atitudes sem nexo prejudicando as pessoas, sem antes ter uma politica pensada a todos os níveis, principalmente a nível social
É verdade quero politicas, não quero medidas avulso. Pois é aquilo que se tem visto quer pela Srª Isabel Soares, como os exemplos que o Srº dá a entender querer fazer
Alem disso o que espero do Srº e de um outro qualquer candidato é simples: Politicas, capacidade do candidato para as executar.
Pessoalmente não vote na quantidade de cumprimentos nem de autocolantes e muito menos se as pessoas são simpáticas ou não. Se Silves esta nesta situação é porque as pessoas votem em que ofereceu mais passeios de autocarro ou comboio, ou na quantidade de beijinhos. Quando voto não olho muitas vezes ao meu bem estar mas sim ao bem estar de toda uma comunidade. Srº Carneiro Jacinto peço desculpa de não ser egoísta.
Joaquim Santos


De J.J.J. a 25 de Fevereiro de 2007 às 04:29
Caro Concidadão e Snr. Carneiro Jacinto,

O BANCO TEMPO é uma entidade com forma jurídica (associação) ou não (desconheço) que me foi dado conhecer através de reportagens jornalísticas, publicadas alguns meses atrás.
Trata-se assim de uma entidade que se encarrega de aceitar “depositantes de tempo”, isto é de pessoas que dispõem de tempo e pretendem vocacioná-lo ao trabalho voluntário.
O Banco Tempo, dispondo desta informação e dos voluntários, distribui esta dádiva pelos que, previamente inscritos, carecem dos apoios disponíveis.
A assistência, porque as necessidades são sempre múltiplas e variadas, pode resumir-se a assegurar o acompanhamento de uma criança da escola para casa.
Na verdade, num caso como este a criança desloca-se em segurança, o ancião voluntário sente-se socialmente útil e a mãe solteira pode cumprir o seu horário de trabalho ou conservar o emprego.
Naturalmente que as necessidades são em muitos casos mais “convencionais”, mas o principio reside, como num Banco, em fazer da soma dos pequenos depósitos, grandes investimentos.
A promoção de um empreendimento desta natureza assenta assim num trabalho de gestão de informação sobre disponibilidades e necessidades e seu encadeamento, o que aparentemente carecerá de pouco investimento, um equipamento informático com os programas adequados, difusão do conceito e instalação dos meios humanos e de espaço.
O que me parece é que mercado não falta, nem para o lado do capital tempo, nem para o lado das necessidades.

Iniciativas desta natureza são tipicas dos países do Norte da Europa, os quais, através da Reforma (e do amor de Henrique VIII a Ana Bolenha) se viram livres do jugo de Roma, o que contribuiu para a construção de sociedades mais participativas que não tiveram de esperar pelo marxismo para fazer evoluir o conceito de caridade para o de solidariedade.
E fizeram-no tão cedo quanto possível criando condições para receberem a lufada de ar oxigenado que a Revolução Francesa trouxe com os direitos do homem e da cidadania.
Organizações da sociedade civil como o Exército de Salvação, estimulam, promovem e organizam o trabalho voluntário, a solidariedade concreta a expensas da sociedade civil, realizando obras de mérito social de relevante significado cívico e humano.
Essas sociedade mais desenvolvidas não apresentam as performances diferenciadas que apresentam face ao nosso, habitualmente chorado Pais, por acaso!
Por cá, pelos paises do Sul da Europa, pelo menos em Portugal, o temor reverencial a Roma, não permitiu alterações significativas ao status quo e o alheamento conservou-se orgulhosamente.
È frequente a frustração nos cidadãos que em certa fase da sua vida querem prestar serviços à comunidade e tomam a iniciativa de procurar a Igreja católica ou organizações a ela de qualquer forma ligadas, com vista a integrarem-se numa acção humanitária qualquer.
Ou se vêm confrontados com a ausência de dinâmica humanitária onde se possam integrar ou são encaminhados para serviços administrativos ou equivalentes, esmorecendo em pouco tempo por desestimulo ou falta absoluta de enquadramento na intenção de satisfazer necessidades reais aos excluídos.

Conheci directamente casos paradigmáticos do que afirmo!

Por outro lado, numa visita a uma aldeia algarvia, fiquei intrigado com um pequeno anúncio manuscrito colado na montra de um café: “Quermesse para compra da prótese da D. Joaquina. Traga qualquer coisa de que não necessite”.

Intui de imediato que a iniciativa seria de cidadãos estrangeiros! Perguntei e confirmei que nessa aldeia vivia um casal de ingleses, idosos, que tinham promovido a iniciativa.

Mais tarde soube que a iniciativa tinha tido sucesso, adquirindo-se a prótese para a D. Joaquina.

Os habitantes da aldeia, certamente excelentes pessoas, levaram, provavelmente, uma vida a lamentar o infortúnio da D. Joaquina.
O casal de Ingleses, face ao infortúnio da D. Joaquina, agiram!
Promoveram a realização de uma quermesse, angariaram dessa forma os fundos necessários e adquiriram a prótese de que a D. Joaquina tanto precisava.
Esta é a diferença entre a caridade e a solidariedade!
Esta é a diferença entre o alheamento e a participação!
Estas são as raízes do desenvolvimento!

http://armacaodepera.blogspot.com


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