António Carneiro Jacinto
Quarta-feira, 25 de Abril de 2007
25 DE ABRIL DE 2007 - OS SILÊNCIOS E AS SOMBRAS COMO REFLEXOS DA NOSSA HISTÓRIA

“Torna-se urgente, cada um de nós, rejeitar o medo. É necessário integrarmo-nos no ser social e na aventura cultural da época em que vivemos”

 

Ser solidário é estar com.

Ser democrata é ser livre.

Ser livre é ser responsável.

Viciar as regras do jogo ou consenti-las é, a contrário sensu, uma forma típica de manipulação, de favorecer ideários egocêntricos, dos quais, o homem inteligente se marginaliza.

É, então, que consciente do relativo, se reassume como uma dispersão coerente neste reino de vaidades pessoais, de jogos de poder sórdidos e mesquinhos, prevalecendo, em todas as atitudes e lugares, numa solidariedade ética entre “oficiais do mesmo ofício”.

As coisas, porém, quando envolvem o colectivo, não são, apenas, o que se vê e o que se deseja, porque todos os sistemas e imposições arbitrárias representam, para quem busca a verdade essencial, factores de perturbação ao livre pensamento e um obstáculo ao conhecimento humano.

Todavia, para quem busca a verdade essencial, um dos factores mais relevantes das histórias da nossa história, é o “entregar a carta a Garcia”.

Quando, face ao medo, de que somos herdeiros involuntários, não ousamos despi-lo e adoptamos atitudes de subserviência, mais não somos do que testemunhos vivos de um tempo de trevas. É necessário estirpá-lo, mesmo que o alimente a solidariedade dos organismos oficiais que à sombra do mesmo engordam.

Quando, neste universo conturbado e controverso, manipulável e manipulado por jogos de pseudo-poder, compromissos e compadrios, ousamos questionar

- quem entregou a carta a Garcia?-

Visionamos, ainda e apenas, como resposta, projectadas no écran do 25 de Abril de 2007, as sombras chinesas do silêncio e do medo.

São os ecos do nosso passado/presente, de algo muito profundo, traduzido em coisas, actos e factos, perecíveis no tempo e com o tempo, e, só quando compreendidos, apreendidos e sabidos, se apagarão, mas em vindouras gerações.

Somos uma geração de terra queimada que é imprescindível desmistificar e compreender, já que, compreender é saber. E saber é ser

Solidário, livre, responsável, corajoso e sábio.

Saber não é mais

Do que o reflexo, consciente, duma história sem história, ou da nossa história ainda por fazer.

 

(Texto escrito por mim e pelos meus apoiantes mais próximos no 33º aniversário do 25 de Abril).

 



publicado por António Carneiro Jacinto às 01:24
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30 comentários:
De Carolina da Barragem a 25 de Abril de 2007 às 18:02
nem sempre deixo as minhas palavras, apesar de não haver dia nenhum que por aqui não passe e hoje apeteceu-me comentar este texto difícil, mas completamente diferente aos que costumamos ler nos blogues, sobretudo nos chamados blogues políticos. Acho que o Sr. Carneiro Jacinto não ficará aborrecido quando digo que o texto é difícil, mas é diferente e é aqui que o Sr. e os seus apoiantes mais próximos ( são palavras suas ) marcam a diferença. Ter a coragem de se assumir diferente num meio onde o que impera é o "diz que diz" e sobretudo a mediocridade´vem reforçar a minha ideia de que é através do Sr. que será possível mudar e marcar a diferença.
Com este texto vale a pena comemorar o 25 de Abril


De Zé do Telhado a 25 de Abril de 2007 às 18:07
É pá isto é linguagem de intelectuais
Muito complicado para a minha cabecinha!!!!!!

Talvez haja quem goste .eu não.
Mas tenho direito ao contraditório, ou será que ainda não se deu o 25 de Abril?

Um abraço, Carneiro Jacinto e boa campanha ( mas vê lá se topeças nas dificuldades do caminho )


De Zorra Berradeira a 25 de Abril de 2007 às 21:34
E veja lá o Amigo Zé se escorrega do telhado!!!!!

Um excelente 25 de Abril para si.


De Joao a 25 de Abril de 2007 às 18:10
Torna-se urgente, cada um de nós, rejeitar o medo. É necessário integrarmo-nos no ser social e na aventura cultural da época em que vivemos.
Provávelmente este paragrafo reflete a situação de alguns dos seus apoiantes; marginalizados pelas suas atitudes profissionais enquanto defendiam o bem e o correcto.
Se numa instituição uma parte significativa dos funcionário " os afilhados ", estão em lugares chave como é que as regras não são viciadas ??
Os HOMENS não se podem acobardar perante certas regras do jogo. É urgente dar um grito de despertar, de revolta sem receio das conseguencias directas e indirectas.
Se os nossos antepassados tivessem receio do que os outros pensavam ou dissiam nada teria sido feito.
Haja alguém com coragem para dar o primeiro passo, e acreditem que atrás dessa iniciativa vêem muitos outros.
Esquecam que há cidades e territórios dominados pelo " polvo ".
ViVA A LIBERDADE
VIVA ABRIL
VIVA A CORAGEM
VIVA O NOSSO CONCELHO



De Anónimo a 25 de Abril de 2007 às 20:56
Carneiro Jacinto
Hoje, como não tive conhecimento das actividades deste dia de FESTA em Silves, saí. Fui à FNAC assistir ao lançamento do livro "Dos cravos nasceram rosas" de José Magalhães.
Ainda não li o livro, mas a apresentação feita pelo autor lançou a questão: o que fizémos com a liberdade.
Dizia o autor que assaltámos o poder e fizémos como outros antes de Abril de 74: impusémos o medo e abafámos a liberdade de expressão, espezinhámos, ignorámos e fomentámos a ignorância oferencendo o fácil (das telenovelas aos bailaricos). Fizémos tudo para sermos adorados e para que não se atravessassem no nosso caminho . Nunca tínhamos experimentado, mas gostámos da sensação e do resultado da adulação. E "legiitimamente" continuámos esmagando aqueles que eventualmente nos questionavam.
E aqui estamos nós (os outros) ... silenciados ...
Porque acredito que pode ser diferente saúdo-o por ser diferente, por permitir que neste espaço se manifestem as diferentes opiniões.
Trinta e três anos depois, não estamos condenados ao silêncio, ao medo ... à injustica. .. à pequenez. Que o seu contributo neste concelho marque a DIFERENÇA.
Um excelente 25 de Abril!
Fátima





De Zorra Berradeira a 25 de Abril de 2007 às 21:31
Não fui à FNAC ,( por desconhecimento ) como a Fátima e tenho pena ;não sinto este texto diferente dos demais ,como a Srª Dª Carolina da Barragem ;nem vejo a superior intelectualidade verbalizada por outro comentador .vejo sim ,a indiscutível vontade de terminar com o medo ,com a estupidez ,o não levar a carta a Garcia ,o deixar passar e o deixar fazer ,como se este Concelho fosse uma galáxia habitada por extra.terrestres que não nós ,os que nos alheámos do real
porquê? por MEDO
pela coragem de lutar contra o mesmo ,e ,sobretudo ,pela vontade de marcar a diferença ,o meu abraço ... e o meu BERRO ,como outrora ousei manifestar.me ( porque esta frase tem muito que se lhe diga quanto a autorias ) todavia ,em diferente contexto - BASTA!


De Anónimo a 25 de Abril de 2007 às 22:10
Dona Zorra,

Deixe que lhe pergunte a si porque me parece a mais sensata no meio disto tudo:

AFINAL QUEM É O GARCIA?????


De Anónimo a 26 de Abril de 2007 às 08:15
O Garcia, será o Egas Moniz?...Não, não é de certeza...


De Tonny a 27 de Abril de 2007 às 18:11
"Uma mensagem a Garcia"
Elbert Hubbard

Faz como eu, vai ler!!


De Zorra Berradeira a 30 de Abril de 2007 às 12:34
Respondo ,com muito gosto, meu amigo à sua pergunta, embora vá gastar um pouco do seu tempo, a fazê-lo:
Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes últimos era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurrectos, garcia, que se sabia encontrar-se numa fortaleza, no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exactamente onde. Como era impossível qualquer comunicação, e o Presidente dos Estados Unidos ( Mac Kinley ) tinha de assegurar a sua colaboração, quanto antes, alguém lhe lembrou - "Há um homem chamado Rowan que é capaz de o encontrar"
Rowan foi trazido à presença do Presidente que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como Rowan guardou a carta, as voltas que deu e o que passou para entregar a carta a Garcia, são coisas que agora não intreressam. O que interessa frisar é o seguinte: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia. Rowan pegou na carta e nem sequer perguntou - onde é que ele está?
É isto que todos nós precisamos. De um endurecimento das vértebras para poder mostrarmo-nos altivos no exercício de um cargo. Para actuar com diligência. Para poder dar conta do recado. Para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.
O general Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias ... felizmente, muitos. A nenhum homem que se empenhe em levar avante uma empresa, em que a ajuda se torne necessária, a todos aqueles a quem não têm sido poupados momentos de desespero ante a imbecilidade de muitos, ante a inabilidade ou falta de disposição para concentramo-nos numa determinada coisa e, apesar das suas dificuldades, fazê-la, é fundamental ter sempre presente a acção de Rowan - o ter entregue a carta a Garcia.

Será que o meu amigo julgava que era outro o Garcia? E será que a esse valerá a pena entregar alguma carta? Perguntas a que a História se encarregará de dar resposta..........


De pessanha a 25 de Abril de 2007 às 21:33
Sr. Dr. Carneiro Jacint!
Que tristeza a minha ao andar por Silves, hoje um dia tão importante para todos nós em que se comemora uma vitória "Liberdade" e verificar que nessa aldeia entregue aos Lobos, nada de nada, ou seja o silêncio total, será que a Lberdade acabou por aí.


De Francisco de Sousa a 25 de Abril de 2007 às 21:51
quanto mais pretenderem calar-nos ,mais alto falarei

quanto mais esquecerem o dia ,mais tempo o lembrarei

quanto mais ousarem negá-lo ,mais alto o levantarei

VIVA O 25 DE ABRIL ( queiram os laranjinhas ou não )
VIVA A LIBERDADE ( queiram os laranjinhas ou não )
VIVA A DIFERENÇA ( queiram os cinzentões ou não )


De CJAP a 25 de Abril de 2007 às 22:32
O dia 25 de Abril, foi comemorado no concelho de Silves como o Presidente da República Cavaco Silva pediu. De uma forma diferente, sem cravos.
E em Silves, terra onde o movimento operário realmente sofreu na pele e na carne a opressão ditatorial de 48 anos, parece esquecida por nós.
Deixamos assim na mão dos eleitos a forma e o conteúdo de comemorar o dia da Liberdade, e temos o que se esperava ou seja nada.
É como se estivéssemos a mutilar a nossa memória.
Não queremos saber de comemorações nenhumas, as nossas memórias são só as mais recentes, tão recentes como o dia de ontem.
Não damos importância ao 25 de Abril, como não damos importância ao 10 de Junho, 5 de Outubro ou ao 1º de Dezembro, são apenas datas de calendário.
Quero lá saber quem lutou pela liberdade que tenho hoje, quero lá saber da história do povo, eu quero é comer, dormir, telenovelas e futebol, estas são as principais preocupações da maioria da nossa população. Por isso quero lá saber do 25 de Abril.
Chegado a esta conclusão, penso ser necessário devolver à sociedade civil as Comemorações do dia 25 de Abril, assim como outras acções que promovam o dever de cidadania que a nossa sociedade tanto precisa.
Desejo uma maior participação de todos na vida pública do nosso concelho, em movimentos de cidadania, associações, colectividades, grupos de bairro, de amigos para exigirem dos eleitos uma melhor gestão dos recursos de todos, porque esta letargia só favorece quem quer estar no poder e com pouco para fazer ou satisfazer.
Se o concelho de Silves se encontra no estado que todos sabemos é porque não exigimos enquanto cidadãos, e achamos que é apenas nas campanhas eleitorais e nas eleições que devemos dar opinião. Por favor não nos resignemos , não sejamos submissos, participemos, demos valor à liberdade que o 25 de Abril nos deu.
Já agora pergunto ao já candidato Carneiro Jacinto, qual a sua opinião sobre o Orçamento Participativo?
Este conceito já existe em algumas autarquias no nosso país, em cerca de 100 cidades europeias e em milhares da América do Sul, e consiste na participação activa da população no orçamento e obras das autarquias, sendo transversal ás várias correntes politicas.
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O dia 25 de Abril, foi comemorado no concelho de Silves como o Presidente da República Cavaco Silva pediu. De uma forma diferente, sem cravos. <BR>E em Silves, terra onde o movimento operário realmente sofreu na pele e na carne a opressão ditatorial de 48 anos, parece esquecida por nós. <BR>Deixamos assim na mão dos eleitos a forma e o conteúdo de comemorar o dia da Liberdade, e temos o que se esperava ou seja nada. <BR>É como se estivéssemos a mutilar a nossa memória. <BR>Não queremos saber de comemorações nenhumas, as nossas memórias são só as mais recentes, tão recentes como o dia de ontem. <BR>Não damos importância ao 25 de Abril, como não damos importância ao 10 de Junho, 5 de Outubro ou ao 1º de Dezembro, são apenas datas de calendário. <BR>Quero lá saber quem lutou pela liberdade que tenho hoje, quero lá saber da história do povo, eu quero é comer, dormir, telenovelas e futebol, estas são as principais preocupações da maioria da nossa população. Por isso quero lá saber do 25 de Abril. <BR>Chegado a esta conclusão, penso ser necessário devolver à sociedade civil as Comemorações do dia 25 de Abril, assim como outras acções que promovam o dever de cidadania que a nossa sociedade tanto precisa. <BR>Desejo uma maior participação de todos na vida pública do nosso concelho, em movimentos de cidadania, associações, colectividades, grupos de bairro, de amigos para exigirem dos eleitos uma melhor gestão dos recursos de todos, porque esta letargia só favorece quem quer estar no poder e com pouco para fazer ou satisfazer. <BR>Se o concelho de Silves se encontra no estado que todos sabemos é porque não exigimos enquanto cidadãos, e achamos que é apenas nas campanhas eleitorais e nas eleições que devemos dar opinião. Por favor não nos resignemos , não sejamos submissos, participemos, demos valor à liberdade que o 25 de Abril nos deu. <BR>Já agora pergunto ao já candidato Carneiro Jacinto, qual a sua opinião sobre o Orçamento Participativo? <BR>Este conceito já existe em algumas autarquias no nosso país, em cerca de 100 cidades europeias e em milhares da América do Sul, e consiste na participação activa da população no orçamento e obras das autarquias, sendo transversal ás várias correntes politicas. <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>CJAP</A>


De Mestre Manuel a 25 de Abril de 2007 às 23:19
Neste 25 de Abril, vou falar-vos de amor.
Do tempo em que os fogos presos incendiavam a noite de vinte e quatro para vinte e cinco de Abril, no Largo do Município da cidade de Silves. Desse tempo, guardo uma noite de fogos, o tacto de uma mão e uma certeza revolucionária da festa da mudança. Fiquei preso àquela noite mágica de Abril nesses olhos que acreditavam no sonho revolucionário e que se reflectiam nos meus.
Hoje, Abril transformou-se. O poder já deixou de comemorar Abril.
É preciso reagir. É preciso dizer NÃO.
É preciso reagir a VERMELHO.
OS SILVENSES DESCONTENTES COM A SITUAÇÃO DO CONCELHO DEVEM REAGIR. REAGIR A VERMELHO. É PRECISO DIZER QUE ESTAMOS VIVOS.
MM


De Tonyy a 26 de Abril de 2007 às 17:28
Fiquei com alguma esperança com a sua chegada, cheguei a sentir uma estúpida alegria porque alguém com alguma notoriedade se tinha lembrado de nós!!! Passado este tempo todo constato que não há nada de novo, passado, passado, passado... parece que está a preparar uma desculpa para um possível desastre da sua vitória. Deixe os tribunais trabalharem! Ou o Sr. acha que nós que vivemos cá, somos todos burros e não vemos??? Nós até vemos! as alternativas é que não tem existido!


De António Carneiro Jacinto a 26 de Abril de 2007 às 18:01
É o Tony da roulotte não é ?


De Tonyy a 26 de Abril de 2007 às 18:24
Das roulottes!! eu vendo primeiro os terrenos e depois as roulottes!! Tá a ver eu sou um homem que penso no futuro!!! Se o Sr. Dr. quiser posso vender-lhe uma com 150 metros quadrados com as rodinhas piquininas, vai logo com kit de piscina (6 por 12 metros). o terreno depois o Sr.Dr. escolhe!!! Depende se gosta de REN ou RAN isto há para todo o gosto.


De casinovelho a 1 de Maio de 2007 às 23:04
O da roulotte é outro ...


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