António Carneiro Jacinto
Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006
Trinta anos de poder local

 Há trinta anos os portugueses eram chamados pela primeira vez a eleger, livre e democraticamente, os seus representantes nas autarquias locais .Trinta anos depois o balanço é claramente positivo. Pode mesmo dizer-se que sem o trabalho dos autarcas o país não seria o que é hoje. O poder local foi, de facto, uma das grandes conquistas do 25 de Abril.

Sei do que falo porque, como jornalista ou em trabalho politico calcorreei o país e conheço-o, praticamente aldeia a aldeia. Podia ter-se feito mais, pode sempre fazer-se mais, mas a obra que aí está não pode, nem deve envergonhar ninguém.

Neste dia gostaria, simbolicamente de recordar todos aqueles que desde então deram o melhor de si ao concelho de Silves. Refiro, com saudade, José Viseu, sem esquecer todos os outros.

Com o poder local foi possível dar o mínimo a que, sobretudo nas freguesias rurais, qualquer cidadão tinha direito: electricidade, água, acessibilidades com um mínimo de condições. É aí , indiscutivelmente, que mais se sente a diferença.

A interminável história de Silves guardará essa memória. Mas também recordará os atentados cometidos em dez anos de gestão Isabel Soares:

A destruição de Armação de Pêra, ex- libris do concelho, convertido em dormitório tipo Reboleira( e os guindastes ainda continuam), o compadrio partidário, o favorecimento dos amigos e correligionários , o desordenamento do território, o medo de  dizer o que se pensa “porque ela pode vir a saber que eu disse mal dela”, a transformação da Câmara Municipal no maior empregador do concelho, para condicionar o voto de tantos e tantos eleitores, a relação sem regras com os empreiteiros, a ausência, enfim, de uma verdadeira politica cultural, de que a situação da Sé é o exemplo mais brutal.

Trinta anos depois da instauração do poder local livre e democrático é tempo de acabar com este estado de coisas. A história interminável de Silves registará que o prazo de validade de Isabel Soares terminou quando muitas destas e outras situações  vieram a público.

A interminável história de Silves far-se-á a partir daqui, com um novo projecto, resultado da participação de todos e para todos, independentemente da sua posição politica, social ou económica. Será esta a melhor forma de homenagearmos os nossos antepassados e aqueles que, em 25 de Abril puseram o destino nas nossas mãos.

 

 



publicado por António Carneiro Jacinto às 22:55
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3 comentários:
De josé meireles a 13 de Dezembro de 2006 às 23:23
O que está a acontecer com a Sé não é só da responsabilidade de Isabel Soares. É também deste governo que fechou os cordões à bolsa e só pensa na via economicista. E como resultado a nossa linda Sé, que até foi indicada pelo IPAR como uma das maravilhas de Portugal, está em perigo de derrocada com perigo eminente. Portanto deixe-me dizer Sr. Carneiro Jacinto que sobre essa matéria ou tem uma boa contrapartida do seu governo ou então não vai conseguir nada.


De CN a 14 de Dezembro de 2006 às 14:12
Srº José Meireles
Concordo consigo, mas em relação a Câmara tem de ter noção de uma coisa, que até para por uma sanita tem de haver um parecer técnico do IPPAR. A Câmara não é ida nem achada.
E que para colocar uma sanita nova precisa de um parecer de um arquitecto. Se a paroquia ou a Câmara põe lá tal equipamento vem o IPPAR com um grande sermão , digno de Fidel Castro. Em relação a queda da Sé, para o IPAR e irrelevante. Pois nunca deram ouvidos ao Srº Padre Dinis Ferro e agora ao Srº Padre Carlos Aquino
CN


De Saudosista a 24 de Dezembro de 2006 às 16:31
Gostaria, hoje, de recordar, com muita saudade, o SR. VISEU, um Grande Senhor, que muito se orgulhava, e com razão, da sua 4ª. classe (então se comparado com os licenciados que se lhe seguiram...), e cuja morte alterou, para sempre, e espero que não irremediavelmente, os destinos da nossa Autarquia!
Quero desejar um Bom Natal à Sra. D. Amália, sua mulher, de quem ele falava com orgulho (digam o que disserem!), às suas filhas e netas, sobretudo à sua Gaby, como lhe chamava, e com quem tanto se preocupava!
Esteja onde estiver, meu bom amigo, recordá-lo-ei sempre com saudade, da nossa amizade, da nossa admiração mútua, dos discos e livros que me emprestou... Os poemas do nosso Ary, as declamações do também saudoso João Vilaret, o "ou tudo ou nada, o meio termo é que não pode ser...", que o Sr. tanto apreciava e com que eu não concordava, nem concordo, mas a amizade também é feita de discordâncias... Enfim! Estará sempre no meu coração!


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