António Carneiro Jacinto
Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2007
ORÇAMENTO PARA 2007 - CENA 2

Como muitos dos meus amigos já sabem, a Assembleia Municipal de 3 de Janeiro decidiu chumbar a proposta de orçamento da Câmara Municipal de Silves para 2007. É uma má notícia.

É uma má notícia por várias razões:

a) já estamos em 2007 e, ao contrário da esmagadora maioria dos organismos de Administração Central e Local, Silves continua sem orçamento; b) a Assembleia Municipal tem todo o direito de chumbar o Orçamento, e dizem-me, aliás, que é o habitual e que as coisas depois se resolvem e acaba por ser aprovado; c) quando um partido não dispõe de maioria na Assembleia Municipal só tem um caminho: negociar, atempadamente, com todos os partidos representados na Assembleia, a sua proposta; d) Isabel Soares estava farta de saber que nas condições políticas actuais o seu orçamento seria chumbado; preparou-o tarde, adiou sucessivamente a sua discussão e como é sua prática não dialogou com ninguém; e) a boa prática política diz-nos que a discussão do orçamento é o momento político mais importante do ano: a maioria tem as suas opções e a oposição a oportunidade de apresentar os seus pontos de vista e alternativas.

O chumbo do Orçamento é, portanto mais um episódio da triste situação a que a actual maioria conduziu o Concelho de Silves. Uma maioria profundamente fragilizada, sem ideias, sem rumo, sem propostas de futuro. O Orçamento é um conjunto de números dos quais não se retira uma única ideia central. É uma espécie de balanço de actividades do Deve e Haver a caminho do abismo. Porque as dívidas são tantas, o serviço da dívida cresce todos os dias e não se encontra saída para esta dramática situação. Como diz Augusto Santos “ estamos a assistir ao fim de um ciclo político”. Um ciclo político que acabará quando a P.J. quiser e a I.G.A.T. decidir. Mas deixe-me que lhe diga que os orçamentos não são retórica e que existe legislação que obriga ao seu cumprimento. Verá que não falta muito tempo para Isabel Soares vir dizer que o problema está na nova lei das finanças locais.

Comentando JJJ “ não quero ser um político do passado mas um político com futuro".



publicado por António Carneiro Jacinto às 21:10
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5 comentários:
De ALGARVIO a 5 de Janeiro de 2007 às 23:28
SUICÍDIO COLECTIVO DO PSD/ALGARVE



Tinha acabado de ler no jornal “Barlavento” que o PSD/Algarve sai em defesa de Isabel Soares quando acedi ao seu blogue e deparei com os números nus s crus do orçamento/2007 para o Concelho de Silves.
Parabéns e obrigado senhor Carneiro Jacinto por nos ter dado a oportunidade de ficarmos a saber, ainda melhor, o que a Rainha Medieval, do Carnaval e do …Lamaçal pretende continuar a fazer da nossa terra: decididamente …perdeu a vergonha.
Parabéns também a Mendes Bota. É o deputado cantor no seu melhor; ou seja, um golpe de rins digno de um autêntico artista e dirigente partidário.
Ficava mal à estrutura regional do PSD/Algarve não vir a terreiro em defesa de Isabel Soares, embora ela já se tenha suicidado politicamente e quando já passaram seis meses desde o eclodir da bronca na Câmara Municipal de Silves. Tomaram esta posição agora porque, das duas uma; ou as pressões dos barões mais conservadores (lobies económicos) do PSD/Algarve e não só, foram muito grandes e Mendes Bota está a engolir cobras e lagartos, ou aquilo que ele dizia da Belinha, há já vários anos e em todas as instâncias, não passava ou não passou de uma estratégia para atingir de novo a chefia do partido regionalmente.
Não há julgamentos na praça pública senhor Mendes Bota, sabe-o bem e há muito tempo, assim como toda a estrutura distrital do PSD; assim como sabe que as “instâncias adequadas” que refere no comunicado, que estiveram e estão a investigar, não foram nem são isentas, legais, credíveis e muito menos as adequadas: institucionalmente, cabe à IGAT fazer a investigação ao caso e aos casos, pois não é só um que está em causa.
Este passo da distrital do PSD/Algarve que mais não é que uma forma de pressão para ver se evitam males maiores ao partido( já lhes basta Valentim Loureiro e Isaltino Morais), só pode significar que Isabel Soares está em maus lençóis. Apesar de tudo, os membros daquela estrutura, à revelia da direcção nacional, que há muito sabem ser mais que verdade, a situação grave em que se encontra o Município de Silves e a sua presidente, arriscam “por solidariedade não se sabe a quê” também eles ao suício político.
É a política que temos e não há nada a fazer.


De Zé Quintas a 6 de Janeiro de 2007 às 15:15
Parece-me que o apoio do Dr. Mendes Bota, deve-se ao facto de, caso o PSD perca o Municipio de Silves para o PS, a AMAL pode passar a ser controlada pelo PS.


De Algarvio II a 6 de Janeiro de 2007 às 13:17
Sr. Carneiro Jacinto, o "chumbo" não foi assim tão mau: teve a virtude de, finalmente, unir a oposição, dar-lhe a noção do poder que tem, e pode exercer, pelo menos, na AM!
E esse balanço de que o Sr. fala entre o deve e o haver, fez-me lembrar um ex-presidente que achava que percebia tanto daquilo que para ele o balanço era entre "o der e o haver"... temos tido de tudo um pouco, como alguém, bem ou mal, já lembrou... parece que como agora, é que nunca... Como dizia um ex-colega meu "vamos de mau a piau"...


De Paulo Silva a 6 de Janeiro de 2007 às 15:57
Adivinha-se uma "estória " interminável...
E por falar em nova lei das finanças locais, vai aqui uma aposta:
- Silves tem taxa máxima de IRS garantida.


De jose meireles a 6 de Janeiro de 2007 às 18:03
Estamos a assistir ao fim de um ciclo político. Não sei se será assim, porque a direita tem tantos poderes que tudo fará para IS não perder a presidência. É tudo uma questão de negociações com o governo central. Não tenham ilusões, porque as coisas não assim tão fáceis, porque se fossem o sistema não continuava como está. Não se esqueçam que se a Câmara passar para PS a presidência da AMAL possivelmente passa para orientação PS. É tudo uma questão de interesses. Este ciclo em Silves não vai durar até quando a PJ quiser, mas sim até quando o governo central quiser. Basta que o Sr. Dr. Carneiro Jacinto esteja preparado para enfrentar o eleitorado, que tenha conseguido os apoios necessários. Mas enquanto não tiver arrumado a concelhia de Silves, enquanto não houver consenso na concelhia, ou enquanto não houver distribuição de poderes no meio político PS (que são os seus principais opositores na concelhia), não há eleições. Porque sem esses pressupostos o Sr. não vai ganhar as eleições, com um partido dividido e fragilizado. Por isso lhe tenho dito que tem muito que trabalhar, entre outras vertentes também a do seu partido. Depois ... bom depois tem que aparecer as contrapartidas. Senão surge mais uma vez o "gato por lebre". Por exemplo, não acharam muito estranho, pouco tempo depois desta candidatura , ser desbloqueada a situação da barragem do Odelouca? (e ainda bem pela minha parte).
Sr. Dr. Carneiro Jacinto, não tenha dúvidas que o problema do Orçamento, também tem a ver com a nova lei das finanças locais e como sabe foi ponto de discórdia nacional até para autarcas do PS.
E já agora gostaria de lhe perguntar se está satisfeito com a nova lei das finanças locais? Se for eleito tem condições para fazer obra e cumulativamente pagar as dívidas a todos os credores da Câmara, sem que o governo lhe dê uma mãozinha? Se for eleito tem coragem para fazer obra, baixando o IMI (temos dos mais elevados do país), baixando o preço da água etc. , etc. .


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