António Carneiro Jacinto
Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007
O ORÇAMENTO E ARMAÇÃO DE PÊRA

Voltemos à realidade. Vinte dias após a Assembleia Municipal de Silves ter chumbado, por maioria, a proposta de Orçamento para 2007, tudo se passa como se nada de importante tivesse acontecido. Considero esta situação, no mínimo, irresponsável.

O orçamento de uma Câmara Municipal é um documento demasiado importante para ser tratado com ligeireza ou leviandade. Antes dos partidos estão as pessoas e são estas que sofrem, directa ou indirectamente, com os disparates dos políticos A situação, neste momento, é de total paralisia no concelho, com custos elevadíssimos para todos.

Já deixei aqui expressa a minha opinião sobre a proposta apresentada pela maioria camarária. Maioria esta que errou ao apresentar a sua proposta nos últimos dias de 2006, ao não dar tempo à oposição e até às Juntas de Freguesia (incluindo as de maioria PSD) para analisar o documento e ao conformar-se com o resultado, remetendo nova proposta para o prazo legal de 90 dias.

Quem é que ganha com isto? Ninguém. Quem é que não perde politicamente com a actual situação: Isabel Soares.

Na moderna gestão autárquica, nomeadamente em países fortemente descentralizados, como a França e a Alemanha, as coisas fazem-se de forma a impossibilitar situações deste género.Vejamos como:

a)      Os trabalhos técnicos de preparação do orçamento decorrem entre Julho e Setembro para que a proposta politica seja apresentada - depois de aprovada pelo executivo -até 15 de Outubro à Assembleia Municipal( é isso que está a pensar é o que se passa, no nosso caso, com o OE nacional ) ;

b)      A oposição dispõe de um mês para analisar o documento, antes da sua discussão e votação na generalidade;

c)      Mesmo no cenário de o executivo dispor de uma maioria absoluta na Assembleia, segue-se um novo período de três semanas para debate na especialidade, onde são normalmente encontrados os consensos antes da aprovação final.

Esta é uma forma democrática, plural e participativa de discutir e aprovar um documento com a importância do orçamento. Nada que se aproxime disto tem sido prática corrente no concelho de Silves, sejam as maiorias absolutas ou relativas PSD, PS ou CDU.

É neste cenário, mais ou menos trágico que, a pedido das bancadas do PS e do BE se reúne, em Armação de Pêra, na próxima sexta- feira, 26, a Assembleia Municipal de Silves em sessão extraordinária.

Da ordem de trabalhos constam:

a)      Apresentação e discussão da proposta de elaboração do plano de pormenor do Sapal de Armação de Pêra;

b)      Apresentação e discussão da proposta de alteração do PDM de Silves, nomeadamente na área poente à zona industrial de Alcantarilha;

c)      Loteamento que está a ser alvo de inúmeras queixas de moradores e comerciantes da zona.

Para ajudar todos os bloguistas que venham a participar nesta Assembleia gostaria de vos dar conta do que vem indicado nas grandes opções do plano da maioria camarária PSD para 2007, 2008 e 2009, no que a Armação de Pêra diz respeito:

1.Pedonalização da frente mar de Armação de Pera : 25.000 euros para 2007; 958.754 para 2008 (inicio da campanha eleitoral) e 883.754 para 2009 ( campanha eleitoral);

2.Requalificação da zona nascente de Armação de Pêra : 2.500 euros em 2007; 502,500 em 2008 (inicio da campanha eleitoral) e 300.000 em 2009 (campanha eleitoral);

3. Requalificação da zona poente de Armação de Pêra: 2.500 euros em 2007; 502.500 em 2008 (inicio da campanha eleitoral) e 300.000 em 2009 (campanha eleitoral);

4.Saneamento em Armação de Pêra: 425.000 euros em 2007 (em plano desde 2002);

5.Remodelação do abastecimento de água em Armação de Pêra: 210.000 euros em 2007 (em plano desde 2003);

6. Construção do Museu do Mar: 2.500 euros em 2007 ( em plano desde 2003); 150.000 em 2008 ( inicio da campanha eleitoral) e 150.000 em 2009 ( campanha eleitoral);

7.Recuperação antigo casino: 355.819 em 2007 ( em plano desde 2003);

8. Construção do complexo desportivo : 5.000 euros em 2007( em plano desde 2003), 270.000 em 2008( inicio da campanha eleitoral) e 750.000 em 2009 ( campanha eleitoral);

9. Construção da Escola Primária de Armação de Pêra: 900.000 em 2007 ( em plano desde 2003);

10. Modernização do porto de pescas de Armação de Pêra ( qual porto?): 131.000 em 2007 ( em plano desde 2001).

Deixo a análise do que ficou escrito à consideração das senhoras e senhores que lêem este blogue.

Melhores cumprimentos.

 

 



publicado por António Carneiro Jacinto às 23:36
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10 comentários:
De Fernando de Sousa a 24 de Janeiro de 2007 às 20:43
Ora vê,meu Amigo!
O Sr. apresenta um documento para análise e debate e não há ninguém que o analise e comente. Se fosse uma publicação de mal dizer, já cá tinhamos a Srª Dª Antónia ( aquela Srª que se queixava do Sr. não se preocupar com coisas sérias ) a Srª Dª Teresa Silva ( a outra que lhe dizia que afinal o Sr. era feito da mesma massa ), o Sr. José Meireles, o Sr. Manuel Damião e todos os outros ( que lhe apontavam a falta de ideias e a não apresentação de documentos para análise.) . Agora que o Sr. apresenta um documento para conhecimento e análise de todos, silêncio nas hostes.
Poderão dizer-me: então porque não comentas tu? Porque não tenho conhecimentos para isso. Sou um simples operário reformado que não tem conhecimentos para discutir estes assuntos mas que, apesar da minha idade, gosto de aqui vir aprender com quem sabe mais do que eu.
Quero ouvi-los meus Senhores. Então? Agora porque não há roupa suja ninguém escreve?
Afinal o mal não está no Sr. Carneiro Jacinto, não é verdade Srª Dª Antónia? Não acha Srª Dª Teresa Silva? Então Sr. Meireles?
Falar é fácil......


De Maria Antónia a 24 de Janeiro de 2007 às 22:25
Sr Fernando de Sousa
Lamento ter sido mal interpretada.
Penso que deverão os meus comentários ser lidos com mais atenção.
Se bem me lembro, pedi, algumas vezes, ao sr Carneiro Jacinto que me dissesse (esclarecesse) como iria Servir Silves.
Talvez eu também interpretasse mal os motivos que levaram a ser criado este blog.
É que eu não conheço o sr Carneiro Jacinto e gostava de aqui saber mais acerca deste possível presidente da Câmara do meu concelho.
Falar não é fácil, muito menos quando se fala em português, língua muito difícil de ser interpretada.

A Maria Antónia (não Srª D.Antónia) não pretendia nem pretende polémicas nem conflitos, só queria simplesmente ser esclarecida acerca de como o Sr Carneiro Jacinto pode e quer Servir Silves (desculpem-me a insistência).
Fui mal entendida e agora, resta-me ficar em silêncio, ir observando e pouco acrescentar.
Os meus melhores cumprimentos



De Paulo Silva a 24 de Janeiro de 2007 às 22:58
Caro Fernando Sousa,

Bem me apeteceu comentar e tenho a minha opinião sobre o assunto mas acho que compete aos cidadãos de Armação de Pêra comentar esta questão.

Primeiro estão as pessoas e as de Armação devem pronunciar-se em primeiro lugar. Senão corremos o risco de fazer como a "outra" (leia pff o Terra Ruiva deste mês).


De Anónimo a 25 de Janeiro de 2007 às 16:30
É operário e vê-se bem que era daqueles fraquinhos, sempre revoltado com o patrão. Tenha calma que o seu dia há-de chegar, lembre-se do Lula que também era operário e hoje anda a brincar aos presidentes. Lembre-se do "camarada" Jerónimo que também era operário antes de aderir ao Partido Monárquico.
Os operários ao poder, JÁ!


De euviumsapo a 24 de Janeiro de 2007 às 21:34
boa noite Senhor Carneiro Jacinto, como vê agora ninguém comenta , nem apresenta as suas ideias?
Não haverá de certo nada para dizer , nenhum comentário para efectuar acerca de Armação de Pêra?Nem sobre o orçamento do Municipio? Duvido.
Mas caladinhos é que estamos bem .




De josé meireles a 24 de Janeiro de 2007 às 22:58
Meus senhores conforme referi no meu comentário do post anterior, corroborei com a atitude do Sr. Carneiro Jacinto. O momento era de reflexão e como tal eu fiz a minha reflexão e tirei as minhas ilações.
Quanto ao Orçamento, já se previa que o ano de 2007 seria para pagar as dívidas, sendo o investimento muito pouco ou nenhum, para as aspirações do Concelho.
As obras iniciadas, pouco ou nada vão avançar no ano que decorre. Quanto às verbas para 2008/2009, como já vem sendo hábito, só em período de eleições é que o roncar dos motores das máquinas se fazem sentir e é quando as obras voltam a incomodar o cidadão. Nessa altura sim, há dinheiro ou faz-se crer ao empreiteiro que tudo abona a seu favor se os trabalhos forem acabados a tempo. E alguns, como já aconteceu até circularam com a bandeira do partido (PSD) numa tentativa de ganhar votos para I.Soares .
Houvesse então nessa altura (eleições de 2009)cidadãos em número suficiente para mostrar o cartão vermelho a Isabel. E é nesse momento que eu gostaria que os votos do "Sr. Fernando de Sousa" e do euviumsapo ", pelo menos, não fossem entregues a IS .
Tendo havido um crescimento cerca de 19 % de emprego camarário, não deixa dúvidas a ninguém que o PSD tenha todos os serviços camarários minados. E seja qual for o partido ou independentes que ganhe as eleições de 2009, terá uma tarefa muito importante que é limpar os tentáculos deixados pelo polvo, para que possa governar e fazer alguma coisa pelo concelho.


De Joaquim Santos a 27 de Janeiro de 2007 às 22:02
Exº Senhores
Cada um tem a sua maneira de ver a apresentação, discussão e aprovação do orçamento. O srº Carneiro Jacinto fez muito bem ir a França e a Alemanha procurar exemplo. Pois Não era necessário ir tão longe, bastava ir a São Brás de Alportel. E dai tirar as devidas ilações. Pelo menos pela naquela terra quem basicamente elaborou o orçamento foi Povo. Agora se os políticos querem elaborar um orçamento apenas informar que vão fazer obras grandiosas e depois nem tem dinheiro para pagar as inspecções dos carros da autarquia. (más línguas). Afinal os orçamentos são feitos para quem ? Para os Políticos ou para as populações?
Joaquim Santos


De Fernando Pires a 30 de Janeiro de 2007 às 19:54
Os orçamentos são feitos por políticos (Os que fazem da política ganha pão) de forma a servir aqueles que poderão vir a ser mais úteis por estarem satisfeitos. SEMPRE na perspectiva de tirar o máximo proveito pessoal.
Os outros, aqueles que tem a sua vida profissional (fora da política), que já mostraram ou mostram o que valem todos os dias no seu local de trabalho. Aqueles que entram na política porque acreditam que podem ser úteis e não vão ficar a depender dela para viver, a esses e só a esses podemos dar o benefício da dúvida e deles podemos esperar orçamentos feitos realmente a pensar na população. É por isso que acredito em sí e espero que ganhe as eleições. Só tenho pena daquilo que vai ter pela frente e espero sinceramente que se rodeie de pessoas de confiança que não necessitem da política para viver pois este é para mim o factor determinante.

Há ainda outro tipo de político que é aquele que arruinou tudo o que tinha e que é obrigado a recorrer à política para tentar num último recurso recuperar alguma dignidade. Puro engano! A ganância só leva a um "entrerrar" ainda mais fundo. Estes rodeiam-se de ignorantes porque estes não pensam! Estes são raros mas vamos conseguindo encontrar exemplos por aí...


De José a 3 de Fevereiro de 2007 às 12:36
teste


De juvenal a 9 de Maio de 2009 às 03:09
É tudo uma questão de saber olhar para o cenário vocês todos que comentaram são todos muito bons políticos,é facil saber falar para o adversário e dizer que não é assim,e uma questão é verdade é que sem adjudicações não há obra


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